Sua estratégia de SEO foi feita para um mecanismo de busca que não existe mais
As respostas geradas por IA já dominam os resultados de busca do Google, reduzindo a visibilidade de marcas que ainda apostam em SEO.
Sim, chegou a hora de repensar tudo em termos de SEO e preparar sites para agentes autônomos. Imagine fazer uma busca simples no Google e, em vez de uma lista de links, receber uma resposta direta, sintetizada por inteligência artificial. Essa mudança, oficializada no Google I/O de 2026, não é um detalhe técnico. Ela altera como as pessoas encontram informação e, consequentemente, como as empresas são descobertas.
Rebecca Bellan, do TechCrunch, conversou com Matt Thompson, vice-presidente de parcerias da Scrunch, em episódio recente do podcast Equity. O diagnóstico foi direto e reto: quem construiu estratégias de SEO nos últimos anos, otimizou seu site para um mundo que está desaparecendo — o das páginas cheias de links azuis que o usuário clicava para ler o conteúdo completo.
O que realmente mudou
O Google colocou respostas geradas por IA no centro da experiência de busca. Para muitas consultas, o usuário nem precisa sair da página inicial. Isso significa menos cliques em sites tradicionais. Marcas que investiram anos em posicionamento orgânico agora enfrentam um problema concreto: quase não conseguem ver como a IA as descreve para os clientes.
Thompson destaca um dado revelador. Encaminhamentos vindos de IA convertem a uma taxa 400% maior do que o tráfego orgânico tradicional. Isso muda completamente a forma de pensar sobre volume de visitas. Não se trata mais apenas de atrair cliques. Trata-se de gerar confiança suficiente para que a IA recomende sua solução de forma natural.
Outro ponto concreto: o ChatGPT ainda domina a maior parte do tráfego de buscas baseadas em IA. Quem foca exclusivamente no Google perde boa parte do mercado. A diversificação deixou de ser opcional.
Preparar o site para agentes
A conversa avança para um conceito prático: tornar o site “agent ready” — pronto para agentes autônomos. A maioria dos sites empresariais grandes ainda não está preparada. Isso envolve estruturar dados de forma que as IAs consigam entender, extrair e sintetizar informações com clareza.
Não se trata de encher o texto de palavras-chave, mas de ter clareza, autoridade e presença em múltiplos ambientes. Thompson critica o fato de que as próprias boas práticas de SEO do Google podem estar levando profissionais para direções menos eficazes no novo cenário.
Enquanto isso, o ser humano continua no centro. Uma resposta de IA pode ser útil, mas a confiança vem da percepção de que por trás dela há conteúdo real, testado e produzido por pessoas que entendem o problema.
O que fazer na prática
Empresas precisam repensar prioridades. Em vez de mirar apenas ranqueamento em buscas clássicas, o foco deve incluir:
- Presença consistente em plataformas onde IAs buscam informação.
- Conteúdo estruturado que facilite a compreensão por modelos de linguagem.
- Monitoramento de como a própria IA apresenta a marca.
Essa transição exige humildade. Estratégias que funcionaram por uma década precisam de ajuste fino. O que não muda é a necessidade de entregar valor real — algo que tanto humanos quanto IAs reconhecem.
O episódio do Equity serve como lembrete oportuno. A tecnologia avança, mas o objetivo permanece o mesmo: conectar pessoas a soluções de forma eficiente. Só que o caminho agora passa por camadas de inteligência artificial que sintetizam, recomendam e, muitas vezes, decidem o que mostrar primeiro.
Para fundadores e profissionais de marketing, o recado é claro. O mecanismo de busca que conhecíamos não voltou. Adaptar-se não significa abandonar tudo o que se aprendeu, mas evoluir a abordagem para acompanhar a nova realidade de como informação circula.
