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Pesquisa revela falta de talentos especializados em IA

Novo estudo realizado em seis países, incluindo o Brasil, aponta carência de talentos e oferece soluções para conectar alunos do ensino superior ao mercado de IA

A Pearson, maior empresa de educação do mundo, com mais de 22 mil colaboradores atuando em 70 países, e a Amazon Web Services (AWS), anunciaram o lançamento de uma nova pesquisa global que revela os desalinhamentos entre o ensino superior e os empregadores, fatores que estão retardando o progresso na formação de uma força de trabalho mais preparada para a inteligência artificial.

O Brasil aparece entre os países em que a adoção da IA no mercado de trabalho é percebida como acelerada, seguindo uma tendência global. No entanto, ainda há um descompasso claro entre exposição às ferramentas e capacidade de aplicação prática no ambiente de trabalho.

Pesquisa revela falta de talentos especializados em IA no Brasil

O relatório se baseia em mais de 2.700 respostas de estudantes, professores de ensino superior e empregadores em seis países, incluindo EUA, Reino Unido, Brasil, Arábia Saudita, Vietnã e Malásia, e é complementado por entrevistas qualitativas com líderes do ensino superior.

Os principais achados do estudo global incluem:

  • 53% dos empregadores afirmam que seu principal desafio é encontrar graduados com as habilidades certas em IA.
  • 78% dos professores de ensino superior acreditam que estão atendendo às expectativas dos empregadores.
  • 14% dos graduados relatam ter alcançado um alto nível de proficiência na aplicação de ferramentas de IA em um fluxo de trabalho profissional.

Esses dados surgem em um momento em que a nova tecnologia está remodelando as funções de nível inicial, a durabilidade das habilidades está diminuindo rapidamente e a prontidão da força de trabalho está em risco em todo o mundo. Embora a adoção da IA esteja se acelerando em todos os setores, a pesquisa mostra que a prontidão para IA está falhando no ponto de execução, onde o aprendizado precisa se traduzir em capacidade aplicada no ambiente de trabalho, e não na falta de ambição ou acesso.

“É evidente que o conhecimento básico de IA já não é suficiente. As escolas que hoje lideram a preparação para a IA moldarão o futuro da força de trabalho. Construir uma força de trabalho preparada para a IA depende de sistemas estruturados e compartilhados que amplifiquem as habilidades humanas e conectem o currículo ao trabalho real.

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A Pearson e a AWS estão trabalhando juntas para preencher a lacuna entre o ensino superior e os empregadores e ajudar a preparar a força de trabalho do futuro”, diz Tom ap Simon, presidente de Ensino Superior e Aprendizagem Virtual da Pearson.

Brasil está investindo alto em IA

Analisando dados do Brasil, há um investimento alto por parte das universidades em IA, tanto que 28% dos líderes do ensino superior descrevem o aporte em IA como significativo. Esse índice é quase três vezes maior do que o observado nos EUA e no Reino Unido (10%), por exemplo.

Nesse contexto, ainda há um desalinhamento entre universidades e empregadores no Brasil. Enquanto as universidades defendem o uso de ferramentas de IA aliado ao julgamento humano e avaliação crítica, as empresas preferem apostar no uso prático, com consciência de riscos e responsabilidade, além de comunicação e colaboração.

A pesquisa também coloca o Brasil em evidência quanto a governança. Isso porque, 42% dos estudantes brasileiros afirmam não ter nenhuma orientação institucional sobre uso de IA. Um total de 30% dos entrevistados pela pesquisa confessa que preferem ocultar completamente o uso de IA dos professores.

Segundo Cinthia Nespoli, CEO da Pearson no Brasil, o uso responsável da IA no processo de aprendizagem é crucial. “A inteligência artificial já está redefinindo o que significa estar preparado para o mundo do trabalho — e isso tem implicações diretas para empresas, economias e para a trajetória das pessoas.”

“O impacto positivo da IA depende de um uso responsável e orientado, especialmente no contexto educacional, onde essa base começa a ser construída. Quando há clareza sobre como utilizar a tecnologia, conseguimos transformar a IA em uma alavanca de desenvolvimento, conectando aprendizagem a capacidade real de atuação no mercado. O desafio, portanto, não é apenas adotar a IA, mas garantir que ela seja utilizada com pensamento crítico, ética e intencionalidade”, declara a executiva.

Preparação para a IA

O relatório lista algumas ações concretas para remediar cada ponto de atrito:

  • Atrito de ritmo: o crescente abismo entre a velocidade das mudanças no ambiente de trabalho impulsionadas pela IA e o ritmo mais lento dos currículos e da tomada de decisões institucionais.
  • Atrito na conexão: ciclos de feedback fracos entre a educação e os empregadores, reduzindo o alinhamento entre as necessidades da força de trabalho e o planejamento da aprendizagem.
  • Atrito de capacidade: a capacidade desigual de professores e instrutores em relação à IA limita a integração consistente da IA nas experiências de aprendizagem.
  • Atrito na governança: a ausência de diretrizes claras e práticas que traduzam o acesso à IA em práticas responsáveis e governadas resulta no uso não autorizado da IA, o que acarreta riscos no ambiente de trabalho.
  • Dificuldade de adaptação: uma desconexão entre o acesso a ferramentas de IA e oportunidades estruturadas para praticar, aplicar e demonstrar habilidades no mundo real.

Com informações da Pearson.

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