A única mudança que funcionou: eu bloqueei minhas redes sociais e nunca fui tão feliz
Antes eu achava que meu celular me ajudava a relaxar. Mas impor limites rígidos ao meu uso melhorou meu humor e meus relacionamentos.
Sou psicoterapeuta e trabalho com pais exaustos e nervosos, e passo meus dias escrevendo sobre por que temos dificuldade em encontrar calma. Eu também costumava pegar meu celular centenas de vezes por dia, sem perceber que isso me tornava uma mãe mais irritada, impaciente e menos presente.
Meu celular era meu escritório, minha fonte de renda, meu meio de comunicação. Cada vez que eu o checava, havia algo para fazer, uma notificação de algo novo, algo que me dizia que eu era útil e produtiva, me dando doses de dopamina que a maternidade não me proporcionava. Ele havia se tornado meu mecanismo de defesa.
O celular também era o lugar onde eu IA para relaxar, para ter cinco minutos que pareciam ser meus. Mas, embora as redes sociais pareçam ser a coisa mais estimulante do universo, o que parecia descanso era, na verdade, apenas mais uma exigência para minha mente já sobrecarregada.
Ao pensar em quanto tempo eu passava no celular, senti vergonha. Aquele número não era apenas um dado; representava a distância entre a mãe disponível que eu queria ser e a que eu era naqueles momentos.
Foi só quando comecei a prestar atenção no que acontecia no meu corpo quando um dos meus filhos me interrompia no meio de uma navegação na internet que algo mudou. Senti um pico de irritação e percebi uma aspereza na minha voz. Eu vinha tratando meus impulsos como um problema de paciência e uma falha de caráter, mas o que percebi é que pegar o celular mais do que se quer não é fraqueza – é biologia.

Pesquisas mostram que, para quem tem TDAH ou está cansado devido ao estresse crônico e à falta de sono, a atração pelo celular é muito forte. O controle dos impulsos é uma função do lobo frontal, e essa parte do nosso cérebro enfraquece quando estamos cansados ou sobrecarregados. Eu estava passando pela perimenopausa, o que torna tudo ainda mais difícil, já que o estrogênio diminui e o cérebro passa a buscar mais recompensas.
Eu prometi limitar o uso, mas sempre acabava quebrando minhas próprias regras. Então, parei de confiar na força de vontade e baixei um aplicativo chamado App Block. Não consigo acessar as redes sociais nem meu e-mail durante o horário em que meus filhos estão em casa, e tenho 15 minutos para dar uma olhada depois que eles vão para a cama. Se preciso fazer algo do trabalho, uso meu laptop, o que me parece muito mais intencional.
O que eu não esperava era o quanto me sentiria mais calma. O zumbido constante de sobrecarga sensorial que eu havia normalizado acabou me custando mais do que eu imaginava. Meu sistema nervoso finalmente tinha espaço para respirar. Eu estava menos irritável, mais presente, de uma forma que não exigia esforço.
Um hábito que me ajudou foi narrar em voz alta o uso do meu celular. Quando o pego na frente das crianças, digo: “Só estou adicionando bananas à lista de compras”. Isso me mantém responsável, porque, depois de dizer isso, eu faço aquela única coisa e guardo o celular. E mostra aos meus filhos que eu não estou sumindo, como fazia antes.
Agora, quando as crianças se acomodam em frente à televisão à noite, eu relaxo com elas e leio um livro. Ser interrompida no meio de um capítulo não me causa o mesmo nível de estresse. Não há algoritmos ou notificações disputando minha atenção. Eu havia me esquecido da sensação de tédio, de onde vem o descanso e as ideias surgem.
E essa mudança melhorou meu relacionamento com meu marido. Muitas das nossas noites juntos eram passadas sentados lado a lado, cada um olhando para o seu celular, completamente distraído. Sem o celular como minha principal preocupação, estou mais disponível. Isso melhorou nosso relacionamento de maneiras que eu não imaginava. Conversamos mais, compartilhando nossas experiências do dia. Damos um ao outro mais atenção plena, que é a coisa mais valiosa que você pode dar a alguém.
Reduzir o tempo que passo no celular fortaleceu meus relacionamentos mais importantes, e isso não é pouca coisa. Meus filhos me veem relaxada e descansando. Eles me contam sobre os pequenos detalhes e preocupações do dia a dia, se aconchegam em mim. Esses momentos são muito especiais e agora estou totalmente presente para eles.
Anna Mathur é psicoterapeuta e escritora. Seu novo livro, How to Stop Snapping at the People You Love (Como Parar de Se Irritar com as Pessoas que Você Ama), foi publicado pela Penguin Life.
O artigo original foi publicado no The Guardian e pode ser lido no original em inglês clicando aqui.
Se você trabalha com IA, um tablet eficiente faz toda a diferença. Caso esteja pensando em trocar o seu, o Tablet Samsung Galaxy TAB A11+ é uma das melhores opções atualmente no mercado. Compre com desconto neste link.
Quando você compra usando nossos links, você apoia o Futuro Guiado e isso não afeta a nossa independência editorial.
